Todos os fins-de-semana soltava uma aragem demorada do seu peito, já estavam habituados ao bocejo característico face à constatação da insignificância da ordem material e, logo que se sentava no banco do café, trazia qualquer história mirabolante nova e totalmente descabida dos dias dos mortais comuns. Era então que, antes de se resguardar nos lençóis com cheiro a lavado, se preparava para uma nova inspiração. Chama-lhe de fumo. E, a partir desse ponto zero, a semana ganhava um novo conforto, quando as pálpebras inchadas cobriam os olhos (quase que melodicamente) e todo o gesto de moleza se enquadrava no avançar dos ponteiros do relógio. Os devaneios passam a ser os bailarinos na pista slow, as preocupações escondem-se atrás das cortinas do palco, e amanhã é um dia belo.
Eu escrevo isto porque ainda não se fez revolução e tenho saudades de abraçar estas alturas.
"E sabem que eu não corro, porque eu sou fumadora e os fumadores não correm."
Eu escrevo isto porque ainda não se fez revolução e tenho saudades de abraçar estas alturas.
"E sabem que eu não corro, porque eu sou fumadora e os fumadores não correm."

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