Talvez te despreze sem ódio, mas com alguma dor. Solta-me de vez! Peço-te de joelhos. Deixa-me simplesmente dançar sem partires um prato para que me entretenha a pisar os cacos até que os meus pés sangrem e o meu corpo desmaie impotente. Um dia corri na sombra, no outro descobri luz, mas cedo me apercebi de que era noite parda - noite de feras e criaturas estranhas que me fazem rugas profundas na paciência. Roubaste-me sem a vergonha de um pobre ladrão, roubaste a minha alma e arrancaste o meu coração do peito com segredos vincados nos lábios… Tocaste-me sem o saber do toque: tocar sem os dedos com mestria, tocar com a alma abarrotada de luz e sombra ao mesmo tempo. O teu toque é mais uma incisão no meu tórax que teima em não cicatrizar, é mais um drama, é mais uma tortura que torna o meu dia escuro. Os teus gestos já não são nada em comparação ao tiroteio de palavras que nos cerca. Os teus gestos são ocos. Gostava de aprender a desprezar-te e calar simplesmente. Deixa-me sentir a solidão sem a tua presença e não com os teus empurrões constantes que me encostam à insanidade. Deixa-me encontrar-te um dia sem ter que puxar pelo perdão. Deixa-me encontrar-te um dia e sorrir como se tivéssemos dedicado verdadeiramente algo um ao outro. Já não mais aguento este sofrimento desmedido e conservar os olhos secos. Deixa-me abraçar-te com força e dizer que não te guardo ódio… Nesse dia saberei que afinal gostaste mesmo de estar ao meu lado.
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terça-feira, 22 de setembro de 2009
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Nove
Os sonhos que nos invadem o descanso matam por dentro sem aviso. Desconstroem o labirinto ilusório dos sentimentos, viram o coração do avesso rompendo algumas das suas costuras e entregam-no aos desejos mais íntimos e vergonhosos, aqueles de que nunca nos queremos lembrar quando estamos despertos. As coisas tornam-se demasiado claras. Mesmo assim, algures nos confins da minha mente recheada de contradições, ódios e doçuras, gostava de nunca ter abandonado a cama de lençóis brancos onde pousava o meu braço sobre o teu pescoço e sorria por dentro pensando no quão impensável e estúpida era aquela situação... Que grande puta que tu és. Pensei que se calhar até gostavas de estar comigo, e olha que pensei ,porque se o dissesse ainda ficavas grande demais. Até nos sonhos me habituei a esconder no pensamento o que sinto e fixá-lo verbalmente no tempo com um tom agridoce.
Este foi um daqueles sonhos que não gostei especialmente de redigir. Setenta por centro deles custam-me na realidade a relembrar, talvez pela ligeira esperança de que se tornem reveladores (uma espécie de Maya com ponta de sentido). De súbito, acordei com o barulho do aspirador e olhei para o relógio sobre a cómoda, faltava pouco mais do que cinco minutos para cravar uma terceira marca debaixo da pele. Fiquei quatro horas numa posição bastante desconfortável, mas a dor nunca me incomodou especialmente… Então fechei os olhos e tentei ignorar o sonho que tinha tido há algumas horas atrás. O que quero fazer a partir deste momento? Serrei o punho direito com violência... Velha cabra vingativa. O que não quero fazer é mais fácil e as tatuagens são a materialização de uma segurança, ou a segurança posta na segurança. Não sabia muito bem no que estava a pensar. Tentei ver qualquer coisa no meio daquilo tudo, mais do que o sentido óbvio que lhe concedi, mais nada. Queria ver tanto como vejo nos sonhos que tenho. Depois assolou-me uma dor enorme na zona do rim esquerdo, as pálpebras cobriram os olhos novamente com força e uma bola violeta dirigia-se para lá. Transformação. Cheguei à conclusão de que preferia ter sonhado com o Johnny Depp.
Este foi um daqueles sonhos que não gostei especialmente de redigir. Setenta por centro deles custam-me na realidade a relembrar, talvez pela ligeira esperança de que se tornem reveladores (uma espécie de Maya com ponta de sentido). De súbito, acordei com o barulho do aspirador e olhei para o relógio sobre a cómoda, faltava pouco mais do que cinco minutos para cravar uma terceira marca debaixo da pele. Fiquei quatro horas numa posição bastante desconfortável, mas a dor nunca me incomodou especialmente… Então fechei os olhos e tentei ignorar o sonho que tinha tido há algumas horas atrás. O que quero fazer a partir deste momento? Serrei o punho direito com violência... Velha cabra vingativa. O que não quero fazer é mais fácil e as tatuagens são a materialização de uma segurança, ou a segurança posta na segurança. Não sabia muito bem no que estava a pensar. Tentei ver qualquer coisa no meio daquilo tudo, mais do que o sentido óbvio que lhe concedi, mais nada. Queria ver tanto como vejo nos sonhos que tenho. Depois assolou-me uma dor enorme na zona do rim esquerdo, as pálpebras cobriram os olhos novamente com força e uma bola violeta dirigia-se para lá. Transformação. Cheguei à conclusão de que preferia ter sonhado com o Johnny Depp.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Perguntas
O que é que nos faz gostar de alguém? Porque temos aquela sensação ao olhar para alguém de que estamos preenchidos e o nosso corpo está a ser elevado no ar? De que estamos em bicos de pé com todas as borboletas no estômago a fazerem força para voar! Porque ficamos com o sorriso parvo de quem não consegue controlar a alegria que está a transbordar? Porque é que aquela pessoa ocupa a tua e a minha mente mesmo depois de já não se encontrar presente?
Poderia colocar aqui mil e uma perguntas e só me saberias responder com a mesma frase, a frase que seria “porque gostas dessa pessoa”, mas não saberias responder o porquê de isso acontecer. Por mais que tentemos nunca vamos perceber o que é que cria e destrói os sentimentos, porque para mim tu és-me tudo mas para ele tu nem sequer existes. A rapidez com que nos diferenciamos dos sentimentos de outra pessoa em relação a uma terceira é estonteante.
Para quê gostar e criar laços… laços são corroídos com o tempo e arrumados na gaveta da memória à espera de serem reencontrados um dia mais tarde. Para além disso sempre que gostamos de alguém, esse alguém fica com um bocado de nós. Fica com aquele sorriso, com o abraço, com os mimos… fica com os nossos segredos e com a nossa intimidade. E a verdade é que quanto mais partilharmos esse nosso lado, menos original ele irá ser e com o tempo já não saberemos se realmente ele ainda existe. Quanto mais damos de nós menos a pessoa a quem damos estará interessada, por mais que seja triste o ser humano não está pronto para aceitar partilhar um mundo. Somos egoístas por excelência e assim continuaremos a ser, talvez por este motivo não estamos predispostos a partilhar os nossos mundos. E sendo que o máximo que se possa fazer nesse sentido é educarmos este nosso lado egoísta para ser menos impulsivo e menos controlador das nossas capacidades.
Poderia colocar aqui mil e uma perguntas e só me saberias responder com a mesma frase, a frase que seria “porque gostas dessa pessoa”, mas não saberias responder o porquê de isso acontecer. Por mais que tentemos nunca vamos perceber o que é que cria e destrói os sentimentos, porque para mim tu és-me tudo mas para ele tu nem sequer existes. A rapidez com que nos diferenciamos dos sentimentos de outra pessoa em relação a uma terceira é estonteante.
Para quê gostar e criar laços… laços são corroídos com o tempo e arrumados na gaveta da memória à espera de serem reencontrados um dia mais tarde. Para além disso sempre que gostamos de alguém, esse alguém fica com um bocado de nós. Fica com aquele sorriso, com o abraço, com os mimos… fica com os nossos segredos e com a nossa intimidade. E a verdade é que quanto mais partilharmos esse nosso lado, menos original ele irá ser e com o tempo já não saberemos se realmente ele ainda existe. Quanto mais damos de nós menos a pessoa a quem damos estará interessada, por mais que seja triste o ser humano não está pronto para aceitar partilhar um mundo. Somos egoístas por excelência e assim continuaremos a ser, talvez por este motivo não estamos predispostos a partilhar os nossos mundos. E sendo que o máximo que se possa fazer nesse sentido é educarmos este nosso lado egoísta para ser menos impulsivo e menos controlador das nossas capacidades.
sem título
Pressão! Pressão! Pressão!… o mundo observa-nos todos os dias, desde que nos levantamos até que nos deitamos. Somos tudo e nada… Somos marcados pela pressão para a construção do futuro, pela (de)pressão/crise do presente e pelo sofrimento do passado. Os olhos estão postos em nós e somos os “guerreiros destemidos” para combater a ignorância que nos tapa a visão todos os dias. Todos os dias ao sairmos de casa alguém deposita esperança em nós, ou é a mãe que vai espreitar-nos na janela, ou os avós que deixam escapar um suspiro entre minutos de uma moleza surda enquanto nos vêem sair… até mesmo na rua enquanto caminhamos alguém nos vê e deposita tudo aquilo que não pôde ser, nos nossos ombros! E nós com toda esta força temos de seguir, temos de lutar, temos de continuar de cabeça erguida e respirar bem fundo para que o ar que entre e arraste tudo para fora num grito destemido de quem quer vencer…
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