Os sonhos que nos invadem o descanso matam por dentro sem aviso. Desconstroem o labirinto ilusório dos sentimentos, viram o coração do avesso rompendo algumas das suas costuras e entregam-no aos desejos mais íntimos e vergonhosos, aqueles de que nunca nos queremos lembrar quando estamos despertos. As coisas tornam-se demasiado claras. Mesmo assim, algures nos confins da minha mente recheada de contradições, ódios e doçuras, gostava de nunca ter abandonado a cama de lençóis brancos onde pousava o meu braço sobre o teu pescoço e sorria por dentro pensando no quão impensável e estúpida era aquela situação... Que grande puta que tu és. Pensei que se calhar até gostavas de estar comigo, e olha que pensei ,porque se o dissesse ainda ficavas grande demais. Até nos sonhos me habituei a esconder no pensamento o que sinto e fixá-lo verbalmente no tempo com um tom agridoce.
Este foi um daqueles sonhos que não gostei especialmente de redigir. Setenta por centro deles custam-me na realidade a relembrar, talvez pela ligeira esperança de que se tornem reveladores (uma espécie de Maya com ponta de sentido). De súbito, acordei com o barulho do aspirador e olhei para o relógio sobre a cómoda, faltava pouco mais do que cinco minutos para cravar uma terceira marca debaixo da pele. Fiquei quatro horas numa posição bastante desconfortável, mas a dor nunca me incomodou especialmente… Então fechei os olhos e tentei ignorar o sonho que tinha tido há algumas horas atrás. O que quero fazer a partir deste momento? Serrei o punho direito com violência... Velha cabra vingativa. O que não quero fazer é mais fácil e as tatuagens são a materialização de uma segurança, ou a segurança posta na segurança. Não sabia muito bem no que estava a pensar. Tentei ver qualquer coisa no meio daquilo tudo, mais do que o sentido óbvio que lhe concedi, mais nada. Queria ver tanto como vejo nos sonhos que tenho. Depois assolou-me uma dor enorme na zona do rim esquerdo, as pálpebras cobriram os olhos novamente com força e uma bola violeta dirigia-se para lá. Transformação. Cheguei à conclusão de que preferia ter sonhado com o Johnny Depp.
Este foi um daqueles sonhos que não gostei especialmente de redigir. Setenta por centro deles custam-me na realidade a relembrar, talvez pela ligeira esperança de que se tornem reveladores (uma espécie de Maya com ponta de sentido). De súbito, acordei com o barulho do aspirador e olhei para o relógio sobre a cómoda, faltava pouco mais do que cinco minutos para cravar uma terceira marca debaixo da pele. Fiquei quatro horas numa posição bastante desconfortável, mas a dor nunca me incomodou especialmente… Então fechei os olhos e tentei ignorar o sonho que tinha tido há algumas horas atrás. O que quero fazer a partir deste momento? Serrei o punho direito com violência... Velha cabra vingativa. O que não quero fazer é mais fácil e as tatuagens são a materialização de uma segurança, ou a segurança posta na segurança. Não sabia muito bem no que estava a pensar. Tentei ver qualquer coisa no meio daquilo tudo, mais do que o sentido óbvio que lhe concedi, mais nada. Queria ver tanto como vejo nos sonhos que tenho. Depois assolou-me uma dor enorme na zona do rim esquerdo, as pálpebras cobriram os olhos novamente com força e uma bola violeta dirigia-se para lá. Transformação. Cheguei à conclusão de que preferia ter sonhado com o Johnny Depp.

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