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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Caminho

Os artistas têm todos um caminho: é um caminho incerto que não é delimitado por regras, mas marcado pela nossa imaginação, pelas nossas vivências e pela essência do ser humano; é uma exploração sem método concreto e preestabelecido - um caminho. Somos seres quase aptos para tocar nas questões que mais nos fazem comichão no cerebelo, até mesmo aquelas que irritam os outros. Somos manipuladores de mensagens ou simples espelhos do mundo. E toda esta procura se trata de uma constante descoberta, cheia de experiências, cheia de obstáculos ao pensar... Uma descoberta onde raramente há um encontro e, se o há, será um encontro vago e inesperado que desfaz rapidamente em pedaços o batimento célere do coração. Porém, logo depois surgem outras dúvidas, outras paixões violentas que se opõem umas às outras.

Os artistas têm todos um caminho, é um caminho que traço todos os dias, intimamente ligado às minhas experiências e à minha confusão, entrelaçado nesta procura incessante também; é um caminho que tende em opor-se ao objectivo final, sem meta segura, mas com alto valor de experiência. Agora conduzido ilusoriamente pelos professores, mais tarde conduzido na solidão.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Ideais, para quem os serve...

O que interessa a data? Quantas vezes temos de nos lembrar que não somos nada daquilo que aparentamos. Bocados de líquido meio viscoso, meio aquoso. Nada somos pois do nada nascemos e do nada morremos. Soluções sem solução e que muitos se tentaram resolver numa equação que só a vida contém e que a ninguém dará. Cambada de idealistas com ideias copiadas e transformadas para parecerem novas, pessoas estas que juram fidelidade aos seus ideais, mas ao fim de contas nada fazem se não praguejar os ideais, enquanto eles próprios as vão quebrando, um após o outro.
Dádiva dada por ninguém, pois numa vida completa dada pela longitude adquirida, não existe nenhum saco que não leve uma pedra dentro dele, se a temos (a pedra) porque dizemos que é uma dádiva? Para aprendermos (!)? Deixem-me rir… Para quê magoarmo-nos quando aprendemos tão bem os ensinamentos na escola sem ser preciso infligirem-nos qualquer tipo de dor.
O que é uma vida completa? Nascer, viver 70 anos, vá… 80 anitos e depois morrer (?!), para que serviu então tudo o que passámos cá? Chorar anos a fio por um filho que se perdeu? Ficarmos deprimidos porque a nossa namorada vai para algum lado e não nos diz nada a não ser que sejamos nós a dar o primeiro passo?
Para que serve eu ser um rapaz de 18 anos a dizer “eu amo-te, como nunca amei ninguém!” (nada de mentira nisto), mas quando digo que te amo da mesma maneira que me amas a mim… como posso eu igualar sentimentos de duas pessoas. Ninguém o devia fazer e sinceramente acho que numa relação há sempre alguém que ama a outra pessoa de uma maneira diferente. De uma maneira mais intensa, sinceramente a intensidade começa a ser algo que me desagrada, pois numa relação, seja ela amizade, amorosa, ou familiar… acho que se a intensidade não for doseada de maneiras iguais, muitas faíscas e discussões irão surgir, pois aparecem sempre as frases como “não fazes nada por mim” ou então “dás-me pouca atenção”!
Voltando aos ideais e aos idealistas, temos grandes profetas como Jesus Cristo que a partir dos seus ideais criaram-se grandes doutrinas, mas mesmo assim vamos reparar que quantos são os cristãos que falham a essas doutrinas e ideais. Mesmo eu, não me querendo equiparar a Jesus e a tudo o que ele realizou (ou não), tenho ideais e falho muitas vezes a eles, não sei se por falta de habituação, ou se pelo contrário, a uma habituação excessiva ao desleixo que ganhei. Falho muito, sim falho mas todos olham para isso como sendo humano, tornaram o facto de falhar uma característica humana. A meu ver, não acho uma característica porque há pessoas que pouco erram seguem a sua vida sem problemas nenhuns. Eu chamo fraqueza! Fraco é aquele que tem ideais e que não os segue ou aqueles que pretendem mostrar às pessoas que os têm, mas afinal é um saco vazio.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

agora é assim

Decidi fazer uma selecção de imagens que divagavam pelas teias da rede cibernética para expressar as minhas paixões do momento, os meus sentimentos, parte do meu dia a dia... Aqui vai então:

















terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Declaração II

Não lhe vou dizer que fiz sexo durante o fim-de-semana, não vale a pena, penso, porque é o fim dessa alínea afectiva. Eu já exprimi tantas vezes o fim e de tantas formas que já é pouca a credibilidade que eles conservam no meu pensamento; perdi a criatividade para formular um fim consistente também. É que ele já está aqui, na minha casa, a invadir o meu espaço pessoal, a minha privacidade, a implicar comigo feito estúpido. Atirar-lhe-ei as culpas que forem necessárias para que deixe de suscitar o meu afecto. Mas lá viaja na memória outro fim que gera outro princípio que dá à luz outro fim, com raiva e declarações (inúteis, devo referir) de guerra. Porque insistes em contar todos os fins que pintas naquela cama que cheira mais a aguarrás do que a romance? Qual presidiário que traça minuciosamente na parede triste os dias para sair da prisão. Deixei de contar as vezes que procurei as minhas cuecas entre os lençóis desajeitados, lancei cinco imbecilidades boca fora e saí de casa a sete passos por segundo. Espero que seja o fim: «por favor tem tino desta vez». E estou aqui, a remoer-me por dentro, por fora, por tudo o que é sítio. Um íman que se atrai e repulsa por se conhecer demasiado. Gosto de enfiar na cabeça que não me agrada estar sozinha, simplesmente, ponto final. Gosto de ter alguém com quem passar a noite. E passo.
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