Pesquisar neste blogue

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Declaração II

Não lhe vou dizer que fiz sexo durante o fim-de-semana, não vale a pena, penso, porque é o fim dessa alínea afectiva. Eu já exprimi tantas vezes o fim e de tantas formas que já é pouca a credibilidade que eles conservam no meu pensamento; perdi a criatividade para formular um fim consistente também. É que ele já está aqui, na minha casa, a invadir o meu espaço pessoal, a minha privacidade, a implicar comigo feito estúpido. Atirar-lhe-ei as culpas que forem necessárias para que deixe de suscitar o meu afecto. Mas lá viaja na memória outro fim que gera outro princípio que dá à luz outro fim, com raiva e declarações (inúteis, devo referir) de guerra. Porque insistes em contar todos os fins que pintas naquela cama que cheira mais a aguarrás do que a romance? Qual presidiário que traça minuciosamente na parede triste os dias para sair da prisão. Deixei de contar as vezes que procurei as minhas cuecas entre os lençóis desajeitados, lancei cinco imbecilidades boca fora e saí de casa a sete passos por segundo. Espero que seja o fim: «por favor tem tino desta vez». E estou aqui, a remoer-me por dentro, por fora, por tudo o que é sítio. Um íman que se atrai e repulsa por se conhecer demasiado. Gosto de enfiar na cabeça que não me agrada estar sozinha, simplesmente, ponto final. Gosto de ter alguém com quem passar a noite. E passo.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Powered By Blogger